Ouvi na rádio que à porta de uma igreja está pendurado um cartaz com a seguinte mensagem:
«As reuniões do Grupo para a Recuperação da Auto-confiança realizam-se às sextas-feiras, às 8 horas da noite.
Por favor, entrem pela porta das traseiras.»
Não percebi em que igreja é que o cartaz está pendurado, nem sequer se essa igreja é no nosso país. Mas que ilustra a situação que aqui se vive, não tenho a menor dúvida.
Numa altura em que precisávamos de recuperar a esperança, acreditar que a situação económica e social pode mudar, surge-nos mais um caso de suspeição sobre o primeiro-ministro.
A entrada em vigor de um novo governo, que até começou bem, não tendo pejo em corrigir algumas opções do anterior (alargamento das condições para receber o subsídio de desemprego, fim das taxas moderadoras nos internamentos e cirurgias, ...), era uma excelente oportunidade para acreditar num novo impulso.
Mas, com um segredo de justiça esburacado, um primeiro-ministro com amigos pouco recomendáveis, uma comunicação social baseada em fontes anónimas e em rumores não confirmados e uma sociedade civil desconfiada e pronta a fazer julgamentos sumários, o novo impulso esfuma-se no éter.
Precisávamos de recuperar a auto-confiança, mas afinal temos de entrar pela porta das traseiras...
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segunda-feira, 16 de novembro de 2009
terça-feira, 22 de setembro de 2009
Alterações climáticas
Enquanto no Ártico se abre a nova rota do nordeste, em Portugal começam a notar-se também com maior violência as consequências das alterações climáticas. É o degelo. As pontas dos icebergues derretem, deixando à vista de todos o que durante muitos anos esteve submerso em águas lamacentas.
O Director do Público nunca procurou esconder o seu fervor neo-conservador em tempos de guerra, nem abandonou o espírito messiânico quando, em clima de paz, desmontava tudo o que o Governo apresentava. Ficam-lhe mal as suspeitas que levanta no editorial de hoje contra o Presidente da República, como se de repente pudesse chamar a si uma qualquer vox populi. Não houve cá 'das duas uma' quando se tratou de publicar o 'caso' em Agosto. Não imagino quem ainda possa estar interessado nos seus factos, questões ou hipóteses.
O que o Director do Público parece não compreender - e o seu editorial de hoje não é mais do que prova disso - é que investigação faz a polícia e moral a igreja. Aos jornalistas cabe INFORMAR. Ultimamente temos tido pouca informação, menos ainda informação com rigor e bom senso.
Só lhe resta mesmo fugir para Bruxelas onde, à sombra de Barroso - sabiamente convertido ao partido da Europa -, poderá começar o reagrupamento familiar.
Não voltem.
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quinta-feira, 10 de setembro de 2009
Portugal num relance
A Revista Visão de hoje traz um interessante dossier que pretende fazer um retrato-síntese da situação de Portugal em diversas áreas, como a educação, a saúde ou a ciência. Trata-se de uma leitura interessante, que nos permite ficar com uma ideia geral acerca da situação do país em algumas das áreas mais importantes.
Ficamos assim a saber que, apesar de em alguns campos estarmos bastante mal (por exemplo, os portugueses estão cada vez mais endividados), há outras em que se têm registado excelentes progressos, destacando-se as áreas sociais e a saúde.
Mas no melhor pano cai a nódoa.
No capítulo dedicado à administração pública surge um título: Públicos e bem pagos. Aí refere-se, em destaque, que os funcionários públicos auferem um ordenado médio 73% superior ao do resto da população (dados de 2005). Esta informação parece um bom argumento para sustentar a ideia de que os funcionários públicos são uns priveligiados. Não digo que o sejam ou não (provavelmente sim em algumas coisas e não noutras). O que digo é que estes dados não contribuem para essa análise, pois comparam universos com formações académicas muito diferentes, dado essencial quando se comparam remunerações.
É que no mesmo dossier, uns quadros mais à frente, vemos que 49% dos funcionários públicos tinham em 2005 formação superior. E uns quadros mais atrás podemos ler que em 2007 só 12% dos portugueses tinham curso superior.
Uma análise esclarecedora compararia os salários para cada nível de escolaridade. Apresentar os dados sem essa análise e fazer títulos como os apresentados serve mais para desinformar do que para esclarecer.
Ficamos assim a saber que, apesar de em alguns campos estarmos bastante mal (por exemplo, os portugueses estão cada vez mais endividados), há outras em que se têm registado excelentes progressos, destacando-se as áreas sociais e a saúde.
Mas no melhor pano cai a nódoa.
No capítulo dedicado à administração pública surge um título: Públicos e bem pagos. Aí refere-se, em destaque, que os funcionários públicos auferem um ordenado médio 73% superior ao do resto da população (dados de 2005). Esta informação parece um bom argumento para sustentar a ideia de que os funcionários públicos são uns priveligiados. Não digo que o sejam ou não (provavelmente sim em algumas coisas e não noutras). O que digo é que estes dados não contribuem para essa análise, pois comparam universos com formações académicas muito diferentes, dado essencial quando se comparam remunerações.
É que no mesmo dossier, uns quadros mais à frente, vemos que 49% dos funcionários públicos tinham em 2005 formação superior. E uns quadros mais atrás podemos ler que em 2007 só 12% dos portugueses tinham curso superior.
Uma análise esclarecedora compararia os salários para cada nível de escolaridade. Apresentar os dados sem essa análise e fazer títulos como os apresentados serve mais para desinformar do que para esclarecer.
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