O watergate à portuguesa vem mostrar que Cavaco Silva e Manuela Ferreira Leite estão separados por um evangelho.
Enquanto Manuela Ferreira Leite se inspira no Novo Testamento, seguindo de forma dedicada o seu messias (que lhe deu o fantástico argumento da asfixia democrática), Cavaco é mais leitor do Antigo Testamento. Ao sacrificar o seu fiel Lima, nada mais dizendo sobre o assunto, Cavaco elegeu Lima como o seu bode expiatório que, como no Levítico, com o seu sacrifício limpava os pecados humanos.
Nota: não é por acaso que neste texto nunca uso a expressão "Presidente da República". Recuso-me a aceitar que este episódio tenha sido obra do "Presidente". Quando muito poderá ter sido o Cavaco, que um "Presidente da República" não comete indignidades.
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terça-feira, 22 de setembro de 2009
quinta-feira, 17 de setembro de 2009
terça-feira, 8 de setembro de 2009
"Fuck them", senhor presidente do Governo Regional da Madeira?
Os portugueses costumam olhar para Alberto João Jardim com uma tolerância especial. É habitual dizer "ele é mesmo doido", mas encolher os ombros perante os disparates que diz. Desta vez, como de outras, foi longe demais.
Tendo mandado foder (porque o seu mau inglês não retira significado às palavras que proferiu) todos aqueles que se preocupam ou criticam o facto de Manuela Ferreira Leite ter usado meios do estado (um carro do Governo Regional) para fazer campanha eleitoral, agora insultou-me a mim. E isso eu não aceito. Como não sou mal educado como esse senhor não o mandarei também foder.
Presumo que a maioria dos portugueses, incluindo o Presidente da República (que se costuma preocupar com o uso indevido dos bens públicos), também não o mandarão foder. Mas sentir-se-ão insultados.
Manuela Ferreira Leite tem agora a oportunidade de demostrar que tem coluna vertebral, que o seu discurso sobre a seriedade na política tem algum significado para ela. Mas parece que nada fará.
Há alguns meses eu acreditava que essa postura era autêntica, que Manuela Ferreira Leite era uma mulher com um verdadeiro sentido de seriedade e verticalidade política, mas concluo agora que essa imagem que muitos tínhamos dela era sobretudo por não a conhecermos bem. É que todos sabíamos quem era, mas na verdade só conhecíamos aquilo que dela diziam, não ela própria.
Na campanha teve de se expor, dando-se a conhecer directamente, sem intermediação. E o resultado é francamente decepcionante. Prega a Verdade (assim, com maiúscula) e moralização da vida política, mas afinal tem um comportamento político absolutamente condenável.
Da classificação da Madeira como "bastião da democracia" onde não há "asfixia democrática" (ao contrário do que afirma existir no continente) à inclusão de António Preto nas listas de deputados, Manuela Ferreira Leite tem mostrado prosseguir valores bem distintos daqueles que professa.
Tendo baseado a sua campanha na Política de Verdade, quando esta cai por terra, sobeja muito pouco.
Tendo mandado foder (porque o seu mau inglês não retira significado às palavras que proferiu) todos aqueles que se preocupam ou criticam o facto de Manuela Ferreira Leite ter usado meios do estado (um carro do Governo Regional) para fazer campanha eleitoral, agora insultou-me a mim. E isso eu não aceito. Como não sou mal educado como esse senhor não o mandarei também foder.
Presumo que a maioria dos portugueses, incluindo o Presidente da República (que se costuma preocupar com o uso indevido dos bens públicos), também não o mandarão foder. Mas sentir-se-ão insultados.
Manuela Ferreira Leite tem agora a oportunidade de demostrar que tem coluna vertebral, que o seu discurso sobre a seriedade na política tem algum significado para ela. Mas parece que nada fará.
Há alguns meses eu acreditava que essa postura era autêntica, que Manuela Ferreira Leite era uma mulher com um verdadeiro sentido de seriedade e verticalidade política, mas concluo agora que essa imagem que muitos tínhamos dela era sobretudo por não a conhecermos bem. É que todos sabíamos quem era, mas na verdade só conhecíamos aquilo que dela diziam, não ela própria.
Na campanha teve de se expor, dando-se a conhecer directamente, sem intermediação. E o resultado é francamente decepcionante. Prega a Verdade (assim, com maiúscula) e moralização da vida política, mas afinal tem um comportamento político absolutamente condenável.
Da classificação da Madeira como "bastião da democracia" onde não há "asfixia democrática" (ao contrário do que afirma existir no continente) à inclusão de António Preto nas listas de deputados, Manuela Ferreira Leite tem mostrado prosseguir valores bem distintos daqueles que professa.
Tendo baseado a sua campanha na Política de Verdade, quando esta cai por terra, sobeja muito pouco.
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quarta-feira, 12 de agosto de 2009
Sem plano B para o partido nem plano A para o país.
Como num jogo de póker, Manuela Ferreira Leite pôs as fichas todas na mesa, mas não mostra o jogo. Espera que lhe dêem a vitória sem ter de o mostrar, pois se for obrigada a isso sabe que perderá.
Penso que o discurso acerca da "Verdade" é sincero, pois a sua formação católica ainda ancora em conceitos pré-modernos. Daí usar expressões como "a finalidade do casamento é a procriação" ou falar de "um apelo à humanidade para mudar de caminho, baseado na caridade".
Para ser fiel a si mesma, à sua ideia de "Verdade", teria de clarificar as suas posições: explicar porque é que considera que o salário mínimo devia ser mais baixo (sim, porque se opôs ao seu aumento), dizer-nos que pretende privatizar (ou será piratear?) parte da segurança social, acabar com a gratuitidade do Sistema Nacional de Saúde, etc.
Assim, mais vale não falar, não apresentar propostas. Cada vez que o fizer estará a perder votos e isso agora é tudo o que conta.
Penso que o discurso acerca da "Verdade" é sincero, pois a sua formação católica ainda ancora em conceitos pré-modernos. Daí usar expressões como "a finalidade do casamento é a procriação" ou falar de "um apelo à humanidade para mudar de caminho, baseado na caridade".
Para ser fiel a si mesma, à sua ideia de "Verdade", teria de clarificar as suas posições: explicar porque é que considera que o salário mínimo devia ser mais baixo (sim, porque se opôs ao seu aumento), dizer-nos que pretende privatizar (ou será piratear?) parte da segurança social, acabar com a gratuitidade do Sistema Nacional de Saúde, etc.
Assim, mais vale não falar, não apresentar propostas. Cada vez que o fizer estará a perder votos e isso agora é tudo o que conta.
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quarta-feira, 5 de agosto de 2009
Da renovação na política - worst practices

Concordo com aqueles que defendem que a renovação da vida política contribui para alargar e enriquecer o nosso espaço público e entendo que a política não pode ser só razão, tem também que mobilizar paixões em torno de projectos democráticos de futuro. Envolver as pessoas, convidá-las a participar, co-responsabilizá-las na resposta aos desafios comuns. Não basta ouvir...
Se alguém me conseguir explicar de que forma as listas do PSD para as legislativas contribuem para a dita renovação, agradeço. Talvez devamos começar por nos entender sobre o significado da palavra 'renovação'. É renovar trazendo caras novas e políticos mais novos/jovens ou apenas renovar mandatos e púlpitos a quem já anda na política há muitos anos?
Continuamos a política de verdade ou rendemo-nos aos sempiternos sectarismos e gregarismos que caracterizam a política portuguesa?
Com tamanha renovação, pergunto-me que papel está reservado, em caso de vitória, para as ordes de defensores de Manuela Ferreira Leite, que todos os dias dão um ar da sua graça na blogosfera.
A escolha ainda é nossa.
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terça-feira, 4 de agosto de 2009
Ouviram os portugueses?
Os cartazes do PSD com o tema "Ouvimos os portugueses" são uma de duas coisas: a demonstração do vazio político em que se encontra o PSD ou a confissão de que habitualmente os seus procedimentos são tudo menos correctos.
A minha memória reteve três frases: "Prometam só o que podem cumprir" (que pretende justificar o atraso no programa eleitoral e a ausência de propostas concretas), "Façam política com as pessoas" e "Olhem por quem mais precisa".
A primeira hipótese, a de que os cartazes demonstram o vazio político, deve-se ao facto de as frases nada dizerem. As mensagens são absolutamente óbvias e banais, pois podiam ser ditas por qualquer político, de esquerda ou de direita, pois são aspirações gerais.
A questão prende-se em como concretizar essas aspirações gerais, como é que se vai dar resposta a pedidos como "Olhem por quem mais precisa". Isso o PSD omite. Mas Manuela Ferreira Leite já nos esclareceu na sua crónica do Expresso de 11 de Julho, intitulada "Caridade na Verdade", em que elogiando o Papa, fala de "um apelo à humanidade para mudar de caminho, baseado na caridade, na verdade, como forma de atingir metas ao alcance dos homens." Pois bem, o PSD vai olhar para quem mais precisa através da caridade.
A segunda hipótese, a de que o PSD está a confessar que as suas práticas habituais são condenáveis torna-se evidente quando se questiona porque é que essas frases parecem ter algum conteúdo para o PSD: só se antes não faziam as coisas assim.
"Prometam só o que podem cumprir". Porquê? Antes prometiam coisas que sabiam que não cumpririam? "Façam política com as pessoas". Porquê? Antes não o faziam?
A minha memória reteve três frases: "Prometam só o que podem cumprir" (que pretende justificar o atraso no programa eleitoral e a ausência de propostas concretas), "Façam política com as pessoas" e "Olhem por quem mais precisa".
A primeira hipótese, a de que os cartazes demonstram o vazio político, deve-se ao facto de as frases nada dizerem. As mensagens são absolutamente óbvias e banais, pois podiam ser ditas por qualquer político, de esquerda ou de direita, pois são aspirações gerais.
A questão prende-se em como concretizar essas aspirações gerais, como é que se vai dar resposta a pedidos como "Olhem por quem mais precisa". Isso o PSD omite. Mas Manuela Ferreira Leite já nos esclareceu na sua crónica do Expresso de 11 de Julho, intitulada "Caridade na Verdade", em que elogiando o Papa, fala de "um apelo à humanidade para mudar de caminho, baseado na caridade, na verdade, como forma de atingir metas ao alcance dos homens." Pois bem, o PSD vai olhar para quem mais precisa através da caridade.
A segunda hipótese, a de que o PSD está a confessar que as suas práticas habituais são condenáveis torna-se evidente quando se questiona porque é que essas frases parecem ter algum conteúdo para o PSD: só se antes não faziam as coisas assim.
"Prometam só o que podem cumprir". Porquê? Antes prometiam coisas que sabiam que não cumpririam? "Façam política com as pessoas". Porquê? Antes não o faziam?
Isaltino condenado, mas outros acusados a caminho da AR
Isaltino Morais foi condenado a sete anos de prisão efectiva e perda de mandato. Irá recorrer, obviamente, o que fará com que a sentença, a ser confirmada, só o será daqui a alguns anos. Mas mais do que a decisão judicial, que não transitou em julgado e que me abstenho de comentar, importa pensar nas consequências políticas.
Desde logo, para o próprio. Isaltino não tem condições políticas para permanecer na política activa, pelo que se deve demitir e não se candidatar às próximas eleições. O PSD esfregaria as mãos de contente, porque recuperaria a Câmara de Oeiras. A bem da democracia, é isso que deveria acontecer, pois a democracia não é apenas eleições, é também respeito pelos cidadãos e pelos órgãos de soberania, neste caso da justiça.
Para o PSD a decisão não podia ter ocorrido em pior altura, mas por responsabilidades próprias. É que esta direcção do PSD não só não deu seguimento à proposta feita pelo próprio partido nos tempos da liderança de Marques Mendes, que proibiria a candidatura de pessoas acusadas por crimes exercidos durante os seus mandatos, como ainda por cima incluiu nas listas de deputados António Preto e Helena Lopes da Costa, ambos acusados em processos-crime.
Manuela Ferreira Leite tem agora de resolver o problema. A primeira hipótese seria excluindo esses candidatos das listas. Mas como é que justificaria essa exclusão? Se fosse consequente com o seu discurso moralista implícito no slogan "Política de verdade", teria de assumir que essa exclusão era apenas porque as pessoas tinham reparado na inclusão desses candidatos e ela tinha medo de perder votos com isso.
Mas para todas as coisas há sempre alternativa. Podem ser os candidatos a auto-excluirem-se, evitando que tenha de ser a líder a fazê-lo. Querem apostar que é isto que vai acontecer?
Mas mesmo assim, valerá a pena perguntar a Manuela Ferreira Leite porque é que escolheu esses candidatos.
Desde logo, para o próprio. Isaltino não tem condições políticas para permanecer na política activa, pelo que se deve demitir e não se candidatar às próximas eleições. O PSD esfregaria as mãos de contente, porque recuperaria a Câmara de Oeiras. A bem da democracia, é isso que deveria acontecer, pois a democracia não é apenas eleições, é também respeito pelos cidadãos e pelos órgãos de soberania, neste caso da justiça.
Para o PSD a decisão não podia ter ocorrido em pior altura, mas por responsabilidades próprias. É que esta direcção do PSD não só não deu seguimento à proposta feita pelo próprio partido nos tempos da liderança de Marques Mendes, que proibiria a candidatura de pessoas acusadas por crimes exercidos durante os seus mandatos, como ainda por cima incluiu nas listas de deputados António Preto e Helena Lopes da Costa, ambos acusados em processos-crime.
Manuela Ferreira Leite tem agora de resolver o problema. A primeira hipótese seria excluindo esses candidatos das listas. Mas como é que justificaria essa exclusão? Se fosse consequente com o seu discurso moralista implícito no slogan "Política de verdade", teria de assumir que essa exclusão era apenas porque as pessoas tinham reparado na inclusão desses candidatos e ela tinha medo de perder votos com isso.
Mas para todas as coisas há sempre alternativa. Podem ser os candidatos a auto-excluirem-se, evitando que tenha de ser a líder a fazê-lo. Querem apostar que é isto que vai acontecer?
Mas mesmo assim, valerá a pena perguntar a Manuela Ferreira Leite porque é que escolheu esses candidatos.
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quarta-feira, 29 de julho de 2009
Coitados dos ricos
À falta de propostas concretas, temos de ir percebendo o posicionamento político pela análise do discurso.
Na conferência do Diário Económico de hoje, Manuela Ferreira Leite expressou a sua preocupação com o que designou de "uma quase perseguição social" dos ricos.
Concordo com a Drª Manuela, deve ser muito mau ser rico. São uma das classes sociais mais prejudicadas. Não percebo é porque é que, na mesma ocasião, disse que só tem pena de não o ser (rica). Para ser perseguida? Mais valia ser pobre, não é verdade?
Claro que ninguém quer que os ricos sejam perseguidos. Como ninguém quer que o sejam os pobres, a classe média, os negros ou os brancos. Mas escolher como alvo de preocupação os ricos, como se existisse algum risco para eles, é muito revelador. E o que se revela é a sensibilidade social de Manuela Ferreira Leite.
Na conferência do Diário Económico de hoje, Manuela Ferreira Leite expressou a sua preocupação com o que designou de "uma quase perseguição social" dos ricos.
Concordo com a Drª Manuela, deve ser muito mau ser rico. São uma das classes sociais mais prejudicadas. Não percebo é porque é que, na mesma ocasião, disse que só tem pena de não o ser (rica). Para ser perseguida? Mais valia ser pobre, não é verdade?
Claro que ninguém quer que os ricos sejam perseguidos. Como ninguém quer que o sejam os pobres, a classe média, os negros ou os brancos. Mas escolher como alvo de preocupação os ricos, como se existisse algum risco para eles, é muito revelador. E o que se revela é a sensibilidade social de Manuela Ferreira Leite.
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